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quinta-feira, 29 de março de 2012

Greve Geral Na Espanha– A classe precisa se organizar.

Espanha enfrenta greve geral nesta quinta-feira-29-03-2012. Motivo? 
Reformas trabalhistas e cortes de gastos para “reestruturação financeira”.

Estamos presenciando um efeito dominó, inegável, na estrutura capitalista, decorrente da atual forma de gestão neoliberal; entretanto, a gestão, boa ou má, não resolverá os problemas inerentes a forma de produção capitalista.
      O sistema capitalista vem sofrendo crises desde de seu amadurecimento, e a classe proletariada, no final do século XIX e início do século XX, enfrentava o capitalismo; entretanto, a história demonstrou que a classe revolucionária, passou a se adaptar, dessa forma, com as negociações entre sindicatos e patrões e sob uma vertente teórica stalynista que predominou, bem como manteve, na URSS formas de produção que não aboliram a propriedade privada, nem a política, nem o Estado(um decorrente do outro, não respectivamente), fundamentais para a passagem ao comunismo. Assim, a política passou a ser de negociação, conciliação entre a classe trabalhadora(sem distinção) e a classe burguesa e isso permitiu que a classe burguesa, pintasse o bordasse com o futuro da humanidade.
     Na primeira metade do século XX, o fordismo e taylorismo, e o Estado de Bem Estar Social, ou keynesianismo, levaram o sistema capitalista a um progresso limitado(países centrais capitalistas, não as periferias, países de Terceiro-Mundo), e posteriormente, iniciaram seu declínio.
     A partir de 1960-70, a reprodução do capital estava em crise (crise no fordismo-keynesianismo) e novas formas de organização social, econômica, começaram a se instaurar, bem como novas alternativas de sobrevivência, por parte da classe de assalariados e proletariados, decorrentes do desemprego. Surgiu o que se chama hoje de “período de flexibilização”. E o capital, teve como alternativa, a saída pelo fortalecimento do poder financeiro.
     O capital financeiro, por sua vez, consistia na postura economica, neoliberal, de penetração do capital em setores antes dominados pelo Estado, bem como, em escala global, o empréstimo por países centrais capitalistas, para os países onde a economia ainda não havia se desenvolvido; dessa forma, tais dívidas, geraram a dependência desses países, aos primeiros e assim, gradativamente, a economia nacional, se tornou dependente de mais endividamentos, como uma bola de neve, que mais cedo ou mais tarde, sempre levariam a períodos de recessão e assim, para novos edividamentos para salvar suas economias, medidas de austeridades, cortes de gastos, se tornariam condições que se não cumpridas, não permitiriam que mais empréstimos fossem feitos.O resultado disso, (economicamente), se apresenta de ante de nossos olhos, a Crise na Grécia.
     Agora, tentando salvar a economia, temos medidas de “cortes orçamentários” e nova domesticação da classe trabalhadora, na Espanha(HOJE!). Para quê? Para salvar a reprodução do capital, pois de tal maneira, na concepção de economia baseada no capital, o país será o próximo a entrar numa crise(e não está sozinho, temos ainda problemas na Itália e outros, diga-se de passagem).
     Atenção: a anterior forma de economia e organização do trabalho(fordismo-taylorismo, keynesianismo) durou cerca de 30 a 40 anos pra entrar em Crise e agora(1929-1960-70), 30 a 40 anos novamente(1970 dias de hoje), estamos em outra crise no capitalismo. Se antes tínhamos o estado de bem estar social – agora temos o período de flexibilização! Duas visões parciais(ideologias), para a continuidade da dominação burguesa, sobre a classe proletariada.
     Analisamos até agora, a questão da economia; mas será que estamos esquecendo dos seres humanos? A economia é uma forma de organização de sociedade, que parte do trabalho, como elemento produtor de subsistência e por assim dizer, também das riquezas sociais(não falando de riquezas na forma de dinheiro ou capital), portanto de relações entre seres humanos. A visão da crise, somente como economico-financeira, apenas demonstra parte da visão(ideologia), ou seja, visão burguesa, compartilhada pela atual sociedade, pois regida, neste momento histórico, pela burguesia e não necessariamente a visão da totalidade do problema.
      Não podemos deixar de ver a humanidade por trás de cada crise: o desemprego, a miséria, a violência, etc etc.; o capitalismo se reproduzirá independente das condições em que se faça, ou seja, independente das condições a que se submeta a humanidade; mas é fato que essa reprodução não será perpetua e pode está mais proxima do que se vê, ou do que se quer vê.
     Se estamos passando por uma crise estrutural, e um período de transição(ver I. Mézsáros), então, precisamos identificar que o castelo já está ruindo e cabe aos seres humanos, neste momento, nesta oportunidade, se reerguerem diante do capital.
     A classe trabalhadora, agora, novamente se vê, como elemento fundamental da perpetuação da humanidade, e somente a classe trabalhadora, poderá aproveitar esta oportunidade para a emancipação do trabalho. Se a classe trabalhadora não se reorganizar e recomeçar a assombrar a europa(como dizia Marx no prefácio do Manifesto do Partido Comunista, 1848), então, não teremos chances de perpetuação humana. Pois, se prestarmos atenção, veremos que as potencias capitalistas e emergentes, estão recomeçando, paulatina e gradativamente, a política de confrontos por territórios em contextos globais: EUA, Israel, Inglaterra-Argentina, Irã, Coreia  do Norte; os fundamentalismos patriarcais da propriedade privada, islâmicos e judeus e seus talibans, simonismos, xiismos, sunitismos, etc etc. 
     Estamos presenciando novamente, um período histórico que antecede uma nova “destruição”, e este é o momento em que, a classe trabalhadora, deve recomeçar a sua luta pela emancipação do trabalho e fim da propriedade privada, pois só desta forma, acabaremos com guerras e a dominação do ser humano pelo ser humano.

Trabalhadores de, Espanha, Grécia, e todos os outros países,
O que estão(estamos) esperando?
Curso Crise no Capitalismo, Parte 1.
Palestrante: Sérgio Lessa. 


domingo, 18 de março de 2012

João e o Pé de feijão e o Dinheiro.

Meus amigos, meu nome é João. O que conto aqui, é como o mundo virou de cabeça pra baixo de uma hora pra outra e como fui atingido, cheio de dinheiro no bolço, na conta bancária, debaixo do colchão.
Sai da empresa onde trabalho, muito empolgado, doidinho pra comemorar minha promoção, depois de 3 anos, havia conseguida uma promoção para coordenador da minha equipe de trabalho. Eu iria num mercado, comprar camarão, vinho e macarrão, para uma belo prato!
Primeira surpresa: ao sair do trabalho, percebi que o trânsito fluía com maior tranquilidade. Não via nenhum coletivo nas ruas. Estranho…
Em um pequeno barzinho aberto, onde eu primeiro comemoraria com amigos de trabalho, tomando um cervejinha, passava um noticiário que me chamou a atenção: petroquímicas, mineradoras e portos, estavam paradas, os operários estavam de greve. Bem, achei que aquilo tudo, não tinha a ver comigo, então continuei bebendo.
Fui até o mercado, para minha surpresa, estava fechado também e então, percebi uma pichação que indicava, “proletários pararam – capitalistas sem trabalhadores para explorar”. “Putz, proletários, isso é coisa do século XVIII, sei lá, medieval!”.
No dia seguinte, sem macarronada, sem festa, com meus filhos em casa, minha mulher, dei uma olhadinha na internet. Tudo falava de greves, greves e greves!
Recebi uma ligação do meu chefe, falando pra dar um tempo em casa, porque nossa empresa, uma consultoria de vendas, entraria num tipo de recesso, porque as matérias-primas têxteis estavam com problemas pra chegar – greves nos portos e nas industrias. Assim, as empresas, estavam dispensando nossos serviços.
Bem, comecei a esboçar como eu faria para liderar meu grupo de trabalho, falando em pro atividade, colaboração, ética e trabalho em equipe. Bem, passei um mês nessa. Não me preocupava com as greves porque eu tinha muito dinheiro guardado, se desse bronca aqui, em Recife, iria pra São Paulo, pro Sul, ou se desse na telha, até pra Europra, EUA, para tirar umas férias em família.
Um mês se passou e ficou mais difícil manter comida, os mercados estavam fechados desde a minha promoção!
Entendi a fluidez no trânsito, o transporte estava parado, em greve. Os postos de gasolina, também não tinham mais gasolina.
Comecei a me preocupar. “Porra, eu tava com muita grana, fruto de muito trabalho. Mas não dava pra gastar!”
Poderia falar e falar mais e mais, mas não precisa. Dá pra ‘sacar não dá? Toda a riqueza que eu tinha, não passava de papel: dinheiro? Papel sem valor! Trabalho? Que trabalho? Toda a cadeia de produção na verdade, vem como nas formiguinhas, uma classe trabalhadora de fato; eles produzem toda a riqueza material, isso é riqueza! Pão, legumes, comida em si! Alimento! Transporte! Matérias-primas! Putz, isso é riqueza material! Dinheiro, porra, dinheiro não serviu para sempre! Dinheiro é pra dominar, roubar essa produção. Dinheiro é pra roubar!
Parei pra pensar no meu trabalho e em outros trabalhos: eu era vendedor, consultor; pensei em: professores, assistentes sociais, comerciantes, burocratas, “analista disso, daquilo”, RH, DP; vendedores, almoxarifes, militares, jornalistas, empresários, tudo. Pensei em todas as funções, carreiras, que chamam de "trabalhadoras” e percebi que nenhuma delas produz a subsistência social – nenhuma delas produz: alimentos, ligas, energia, matérias primas, nada. Elas não produzem nada. E agora, com essa classe, que agora entendo, os proletariados, a sociedade parou, porque são eles que produzem, eles que possibilitam a vida em sociedade! Putz. Se eles pararam, a sociedade parou de fato: não tem PT, PMDB, Democratas, não tem porra nenhuma.
Cara, se eles produzem a sobrevivência da sociedade, por que então, os burgueses expropriam a produção e vendem tudo? Cara, só com isso entendi: o que chamam de burguesia, classe dominante, na verdade, são os donos, cheios de dinheiro, que fazem os proletários trabalharem e ficam com toda a produção que seria para a sociedade; esses caras pegam tudo pra si e depois jogam no Wal Mart, Carrefour, Nike, Adidas, etc., pegam tudo que seria produzido para a sociedade, se apropriem com o dinheiro, com a dominação e depois vendem tudo e ficam mais e mais ricos. Putz! Isso é que se chama de propriedade privada, dominação do homem pelo homem. Caramba.
A sociedade parou, porque a classe proletariada parou.
Peguei três sementes de feijão e plantei no meu jardim de cimento.

sexta-feira, 9 de março de 2012

CRISES DE ABUNDÂNCIA - SUPERPRODUÇÃO


(Texto retirado de troca de correspondências, com o companheiro Márcio Bezerra), vamos explorar esse lado "mecânico":

No capitalismo, o que importa para a produção de mais valia é a quantidade, não exatamente a utilidade(valor-de-uso) das mercadorias produzidas. Um exemplo histórico: na idade média, os mercadores, compravam em um feudo o que era produzido e levavam para outro feudo para vender; depois, neste feudo, compravam outros produtos e levavam para outro feudo; e assim, neste processo, não interessava para o mercador, a valor-de-uso das coisas que comprava. Ele podia comprar metais, jarros, ou esterco, merda, não importava para ele; o que lhe interessava, era o valor-de-troca que ele poderia gerar, ao ofertar em determinada região(feudo), algo que este local não produzia, portanto, que não tinha.(Oferta e Procura). Nessa forma de comercio, ele produzia o lucro.

O importante dessa questão aí, que é econômica, não ontológica, filosofal; é salientar como se intenciona o lucro e a consequente reprodução de capital. Pois bem, adicionemos aí, a parte histórica decorrente da produção industrial e sua relação com o mercado:

Uma industria produz determinada mercadoria em quantidade, porque quanto mais mercadorias tiver, mas lucro, logicamente, terá. No entanto, o mercado se dá pela relação entre OFERTA e PROCURA. Como se produz não visando a necessidade de consumo(ou seja, suprir as necessidades humanas, com valores-de-uso); mas sim, visando-se o LUCRO(não se visa atender o ser humano, mais o capital); então produzimos em quantidade para lucrar mais e mais. No entanto, se a OFERTA se torna maior que a PROCURA, a produção NÃO COMPENSA! Ela não trará lucro. Mas o sistema é esse: ele é contraditório por natureza: se você produz para multiplicar o capital, em determinado momento, você encheu o mercado e sua produção não tem mais valor, deixa de produzir mais-valia, etc.

O processo de produção industrial caminhou para a Crise de 1929 no EUA. E alternativas, como o neo-liberalismo e a participação mais ativa do Estado na economia, começaram a se intensificar mais ou menos nessa época.

Marx chamava essa forma de produção capitalista de Superprodução e a lógica industrial é a de reprodução de capital; não de suprir as necessidades humanas. Por isso, afirmo que não se trata de ser uma questão ideológica, o marxismo não é uma ideologia em si; mas um estudo sobre o Capital em si e sobre a visão materialista histórica da humanidade. E de acordo com Marx e pensadores do século XX pra cá: o Capital em si, destruirá a humanidade, pois estamos vivendo o período de ABUNDÂNCIA! Então, respondendo a pergunta sobre período histórico de CARÊNCIA e ABUNDÂNCIA:

                A humanidade nunca conseguiu suprir a CARÊNCIA em nenhum dos períodos anteriores ao capitalismo. Entendendo carência como a produção dos meios de subsistência e de produção necessários a sobrevivência e manutenção da humanidade a ponto de poder acumular riquezas de forma a garantir não somente a sobrevivência, mas também a evolução nos meios de produção. No entanto, a partir da Revolução Industrial do século XVIII e o consequente amadurecimento do capitalismo, foi possível, pela primeira vez na história da humanidade, superar a CARÊNCIA. Entretanto, aí reside a contradição: a humanidade passou para o período de ABUNDÂNCIA, ou como diz Marx, de SUPERPRODUÇÃO. A humanidade já produz o suficiente para suprir a CARÊNCIA humana e ainda, investir nos meios de produção e de subsistência da mesma. Mas por vivermos sob a propriedade privada na forma de produção de capital, de lucro, temos um entrave a o próprio desenvolvimento da humanidade. Se num determinado momento, não se tinha o necessário, portanto não se podia desenvolver a humanidade devido a necessidade constante de se manter as forças de produção concentradas na própria produção; com o capitalismo, as forças de produção se desenvolveram a ponto de superar essa condição. Mas por vivermos em prol do capital, a humanidade continua na miséria e os principais países capitalistas(em torno de 8 a 9, de acordo com o Prof. Sergio Lessa), continuam a manter o capitalismo como sistema econômico responsável pela destruição da própria humanidade, em prol do desenvolvimento do capital.

Para poder solidificar esse conhecimento, é importante lembrar do que falamos sobre a propriedade privada e as classes sociais. Pois, noutro contexto, o PROLETARIADO, é a classe social que produz as riquezas materiais da sociedade; mas sua produção é expropriada pela burguesia, para reprodução de capital; ou seja, é roubada dos operários para gerar o lucro da classe dominante. O restante da humanidade, vive para reproduzir o capital para a burguesia e assim, a humanidade está se destruindo por causa do Capital.

Quando falamos em PROLETARIADO, em REVOLUÇÃO COMUNISTA, falamos do fim da produção para fins privados; falamos da produção das riquezas materiais para toda a sociedade, para toda a humanidade; falamos de - acabar com a produção para reprodução do Capital.

Por ultimo, reforço: não é uma economia gerida de forma "irresponsável", mas sim uma economia gerada PARA A REPRODUÇÃO DE CAPITAL. Uma economia assim, é uma economia irresponsável por excelência, por natureza; o mundo está se destruindo; as pessoas estão se matando mais e mais; as guerras prosseguirão; a produção de mais e mais para buscar o lucro é que trará a destruição.

Os países de primeiro mundo só são de "primeiro mundo", por que exploraram os de terceiro e isso não é uma dedução "lógica"; é um fato histórico. Se você deseja que o Brasil tenha um padrão de vida europeu, britânico, estadunidense; você não está fazendo nada mais que desejando que a economia continue capitalista e se mantenha sobre a exploração do PROLETARIADO e da BUSCA DE “UM BEM ESTAR SOCIAL” causado pela exploração da própria humanidade em prol de uma classe social.

Bem, por hora, é isso.

Gabriel Brito. GRIF Maçãs Podres.

quinta-feira, 8 de março de 2012

CLASSE PROLETARIA E CLASSE DE TRANSIÇÃO

Em resposta a um email do companheiro Marcio Bezerra,

Em relação as guerras, não querendo descordar, acredito que você tenha em mente que elas são provocadas não por decisão do Estado em si, mas do Estado enquanto representante executivo dos interesses da classe burguesa. E que, independente das consequências da guerra, o Capital em si, se transforma, criando outras alternativas para sua reprodução. De acordo com Marx, essas Crises são Cíclicas; mas tem um pensador chamado István Mészáros, que está vivo ainda!, em seu livro, Para Além do Capital, ele diz que estamos vivendo uma fase de crise estrutural do capitalismo, não somente uma crise econômica. E se é estrutural, pode trazer o fim da humanidade, ou a barbarie - onde as forças de produção humanas regridirão - ou a revolução proletariada.

Usamos o termo “proletariado” hoje em dia, para designar a classe trabalhadora e portanto, não burguesa. Mas isso deforma a concepção de proletariado. Vamos lá:
De acordo com Marx, o proletariado é a classe que produz as riquezas MATERIAIS(não dinheiro, ou capital) necessárias a humanidade, como alimentos, roupas, transporte, etc. Bem, como a nossa sociedade é dividida em classes, a dominante expropria a produção MATERIAL(necessária a humanidade), e a transforma em dinheiro, o que permitirá que ela produz capital, lucro, mais valia em si.

Exemplo: a safra de arroz é colhida por proletários. Eles fazem parte da produção, desde o semeio, arajem, estocajem, etc., todo o processo. No final, toda a produção desse trabalho vai para as mãos do dono - o burguês - da industria. Ele, o burguês, vai vender sua safra no mercado, transformando a riqueza MATERIAL produzida nas fábricas, pelos proletarios, em dinheiro.
(Veja só, imagina se toda a produção de alimentos, todos os proletarios, fazem greve! O dinheiro de nada servirá, porque não existe "riqueza MATERIAL", não existe alimento! O dinheiro vira lixo pra limpar rabo!)

Bom, o que acontece, o Trabalho é realizado pelo proletariado, e o trabalho é o intercâmbio MANUAL do ser pensante com a natureza, transformando-a para garantir a sua subsistência. Como o modo de produção está na sociedade de classes, então, como visto, esta produção, este intercâmbio com a natureza, é expropriado pelo capitalista. Ele então, vai pagar para o estado os impostos, para manter outras atividades necessárias e ASSALARIADAS de trabalho; bem como também, ele, o capitalista, vai investir em ciência, tecnologia, etc.; para desenvolver as forças produtivas da sociedade, gerando assim, mais atividades ASSALARIADAS. Estes assalariados recebem dinheiro para trabalhar, seja do burguês ou do Estado. Mas e o dinheiro, da onde vem? Vem da riqueza MATERIAL convertida em capital. Ou seja, o acumulo privado de riqueza MATERIAL, oriundo do TRABALHO PROLETARIADO, permite que a classe dominante, transmute tal riqueza em dinheiro e invista em outras atividades, criando assim, uma classe "de transição", os ASSALARIADOS que não produzem a riqueza MATERIAL da sociedade. 

Assim Márcio, temos duas classes de assalariados, os PROLETÁRIOS e os "DE TRANSIÇÃO". A semelhança entre eles é: ambos são explorados para aumentar a mais-valia; a diferença é que os "de transição", não produzem A SUBSISTÊNCIA MATERIAL, seu dinheiro, basicamente, vem em ultima instância, da exploração dos PROLETARIADOS.

Portanto, quando a burguesia fala de a classe trabalhadora, ela está mutilando o significado revolucionário do PROLETARIADO. Pois estes produzem a riqueza MATERIAL da sociedade e sem eles, não há dinheiro para nenhuma outra ramificação social. Assim, essa classe, proletaria, é a classe revolucionária por excelência, pois basicamente, produz a riqueza, mas não a aproveita; então, ela é mais interessada em destruir a propriedade privada. 

No entanto, a CLASSE DE TRANSIÇÃO tem duas tendências/opções, se unir a burguesia para explorar a classe PROLETARIADA, ou se unir ao PROLETARIADO e acabar com a exploração do homem pelo homem - a propriedade privada.
 
Gabriel Brito
Ref: O Capital – Volume I de Karl Marx
Sergio Lessa – Trabalho e Sujeito Revolucionário no Debate Contemporâneo (www.sergiolessa.com)

terça-feira, 6 de março de 2012

Comunismo Feminista

 
Temos que hoje existe uma reinvindicação feminista que, diante do Estado, reclama democracia e direitos iguais; que reivindica emancipação da mulher, diante do mercado de trabalho; que luta contra o machismo cultural de nossa sociedade. Até onde essas questões podem ser vistas como revolucionárias?

Bem, de antemão, se faz necessário apontar questões sociais do ser pensante, o ser humano e seu desenvolvimento histórico, até a atual forma de sociedade em que vivemos.

No livro, “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, no tocante a Engelz, quando este fala que “primeira opressão de classes é a do homem sobre a mulher”, de acordo com Simone, o mesmo acaba por não explorar outras perspectivas, se não a econômica; para entender a situação da mulher, ainda nesse contexto, é necessário observar que devido a questões biológicos, como o parto, coube a mulher, em determinado momento histórico, explorar menos a natureza, que o homem, pois este não tinha a limitação imposta por sucessivas gravidezes; portanto, à ele sobrou uma maior liberdade para realizar, nos termos do materialismo histórico, o intercambio com a natureza – a relação transformadora, o trabalho, entre ser pensante e natureza. Portanto, é necessário aqui salientar que uma visão complementa a outra e não que temos uma dissociação. Nós, enquanto sujeitos do século XXI, podemos fundir tais conhecimentos, ao invés de separá-los como se se tratasse de lutas diferentes, pois a luta é, em ultima instância, o rompimento com a dominação de um ser sobre outro, seja na forma de classes econômicas ou sexuais.

Assim, podemos agora atentar para o fato de que no decorrer da história, a dominação do homem sobre a mulher, se instalou concomitantemente, com o surgimento da propriedade privada, só assim foi possível o desenvolvimento econômico, em detrimento da propriedade coletiva à época, que não permitia o acumulo de riquezas, fator determinante para o desenvolvimento das forças produtivas. De acordo com a visão materialista histórica, foi o surgimento da propriedade privada que tornou necessário, em relação a sua manutenção, a passagem da família sindiásmica, para a monogamia patriarcal. Podemos concluir com isso, que a sociedade privada, sob o domínio do homem sobre a mulher se manifesta, fundamentalmente, na sociedade de classes.
No decorrer da história, a sociedade de classes progrediu economicamente, e passou do modo de produção escravista, para o feudal, com a queda do Império Romano, e depois do feudalismo, para o capitalismo. Ou seja: escravismo, feudalismo, capitalismo; são modos de produção nos quais o domínio de classes se mantem, na forma patriarcal.

Doravante, é importante intencionar que a luta feminista, ao se erigir sobre o rompimento com o patriarcal, só pode existir de fato, como forma de ideologia de uma classe dominada, enquanto lute contra o patriarcado e consequentemente, contra a divisão social de classes e o que é o mesmo que lutar para abolir a propriedade privada; sob pena, caso não o faça, de se tornar uma ideologia burguesa que, de forma deliberada ou não, preservará todas as estruturas sociais que mantem opressão.

A Dominação Patriarcal e a Ontologia do ser pensante.

O Patriarcado é uma estrutura social que determina as relações entre homem e mulher entre sí e enquanto seres sociais, através de regras que definem os comportamentos de ambos os sexos, tendo no domínio da mulher pelo homem sua característica mais evidente.
Como afirmava Simone, é importante salientar que enquanto seres pensantes, a humanidade não pode se resumir a meras questões biológicas, fisiológicas, psicanalíticas; e tão pouco a questões econômicas. Pois os complexos sociais existentes entre a relação do ser pensante com o mundo, suas consequentes transformações reciprocas, e a intencionalidade do homem diante de suas ações perante o mundo, tendo em vista os nexos causais que se dão, impossíveis de se conceber pois ainda não aconteceram; é que vão construir todas as estruturas da sociedade, sejam elas externas ao ser pensante, sejam elas até mesmo no ser pensante(como parte da personalidade, por exemplo, que se constrói com as próprias experiências do indivíduo diante de determinado momento histórico e decorrente situação social).

A sociedade é produto de uma construção histórica, e o ser pensante, constrói a história, pois ela é intrínseca a ele e não existiria caso não houvesse a consciência do ser sobre o mundo. Não há então, nenhuma essência humana que não tenha sido criada pelo próprio ser humano, o que limita o ser pensante, é o momento histórico e todas as visões, concepções de mundo e “substâncias” essenciais de determinado período histórico em que se vive(por vivermos numa sociedade burguesa individualizante, temos que todo homem tem o direito de buscar sua liberdade, felicidade, independente da sociedade em que vive; o que afasta o ser pensante de si próprio, visto que o ser pensante é um ser social, e a individualidade torna-se dessa forma, uma contradição ontológica nessa mesma concepção do mundo, que tende a destruir o ser individual, enquanto ser social – não há sociedade sem indivíduos).

Portanto isso nos mostra que a sociedade patriarcal só se mantém, porque se acredita que seja uma essência anterior ao homem, se manifestando no senso comum como concepções divinas, causas primordiais, determinismos biológicos, etc. Assim sendo, a dominação patriarcal não pode se sustentar ideologicamente se o sujeito oprimido, a mulher, passar a interferir no mundo de forma contraria a essa ideia, o que se manifesta em pequena ou grande escala, numa construção histórica, que levará a nexos causais indeterminados, mas que objetivados, mudarão de alguma forma, pequena ou em grande escala a história da humanidade.

O Reformismo como forma de manutenção

No ideal de mundo, temos uma sociedade erigida sobre estruturas que definem a ordem, a ética e os valores sociais. Assim, teremos uma política voltada para atender, na forma de Estado, as necessidades da ordem social. Qualquer mudança que vise alterar as relações sociais, não muda a estrutura do mundo que se tem como determinante para a construção dos indivíduos dessa sociedade. Em outras palavras, as reinvindicações que visem apenas mudar a relação dos indivíduos com o Estado em si, não será nada mais que um reformismo; pois a estrutura, O Estado como representante político da dominação de classes e da propriedade privada, não será modificado; o que se mudará são as políticas e as formas de dominação(como é o caso da atual forma de dominação capitalista, a política de democracia).

A política em si, surgiu como uma forma de organização social regida pelo Estado de classes; que tem como premissa a dominação de uma classe sobre outra, como já expomos acima. Portanto, a negação as concepções ideológicas de mundo, tem que ser totalizantes, e não fragmentações de ideologias como conhecemos hoje.

Conclusão

Os movimentos sociais de esquerda, só podem se constituir como uma esquerda revolucionária verdadeira, quando unificados sob a perspectiva ideológica de mundo. Assim, se manifestando como uma contestação não a frações de opressões, mas a toda base de opressões expressadas hoje, na atual concepção de mundo totalizante burguesa individualizante. Portanto, cabe a todos os movimentos, contra a direita, a unificação para a construção de uma ideologia dos dominados contra a classe dominante e que só será legítima, quando toda a opressão: propriedade privada, dominação do homem pelo homem, expressas com a democracia política do Estado burguês; for combatida.

Não se constituindo dessa forma, não haverá superação das condições atuais de mundo, portanto, o feminismo, só se constituirá de fato, se for também, um comunismo e vice versa, pois a premissa comunista é a superação da sociedade de classes, assim, da propriedade privada; enquanto que o feminismo que não caia em pseudo-feminismo, combate o patriarcado, ou seja, a dominação do homem pelo homem expressa na sociedade de classes, portanto, uma causa, solidifica-se na outra. Toda forma de luta fragmentada, constitui apenas um reformismo.

Rap. "Lá Furia Deu Peuple"

Por: Gabriel Brito
GRIF Maças Podres.

REFERENCIAS

Sérgio Lessa – Trabalho e Sujeito Revolucionário no Debate Contemporâneo DVD 1 ao 6.
Simone de Beauvoir – O Segundo Sexo
Fernanda Marcassa – Estudo sobre: A Origem da Família do Estado e Propriedade Privada – de F. Engelz.