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terça-feira, 5 de junho de 2012

Por que a teoria de Marx não morreu?


Historicamente, O Capital, de Marx, foi o livro base para o “socialismo real”, ou seja, para a agenda revolucionária socialista, que conseguiu implantar o socialismo no século XX, em 1917, na “Revolução de Fevereiro”, na URSS. No entanto, desde o Programa do Partido Operário Alemão¹, da década de 1870, que Marx não concordava com a tendência com que o Partido Operário estava caminhando. A saber, a teoria de Marx se constituía da fundamentação para a emancipação do trabalho, e portanto, da classe que o representa, o proletariado.

A partir da Revolução de Outubro, o socialismo já estava distante da teoria de Marx, e como se observou historicamente, mesmo diante da afirmação de Stalyn, que a URSS chegou ao comunismo de fato, no final da década de 1980, como sabemos, a URSS ruiu, abrindo o caminho para o capitalismo privado de novo.
A burguesia no entanto, marcadamente no mundo ocidental, sempre tentou negar a teoria de Marx, velando-a o máximo possível, o máximo que podia; enquanto que a esquerda, quase que exclusivamente, se referenciava pelo socialismo “real”, aquele da URSS e dos países que implantaram o socialismo.

De dentro do Partido soviético, a teoria marxista passou por interpretações que até os dias de hoje, lançaram referências equivocadas da teoria de Marx², notadamente em relação a divisão e hierarquia do trabalho. Com tudo isso, se estabeleceu um “senso comum” acadêmico e político, de equívocos de interpretação da teoria Marxista. Portanto, de um lado e do outro, seja na direita, seja na esquerda, a teoria de Marx perdeu seu poder diante do mundo atual. Todavia, isto suspendeu o caráter revolucionário desta obra, de forma alguma poderia deslegitimá-la, mesmo depois de mais de um século e meio da exposição desta teoria em O Capital.

Por isso, a teoria de Marx ainda não morreu e por esse motivo, inúmeros pensadores, continuam a discutir o projeto socialista em Marx, sejam eles medíocres ou geniais³.

Por esse motivo, Marx continua vital para o projeto socialista. Diante da crise atual do capitalismo, que a cada momento, lança mais um país na Crise financeira; que lança milhões e milhões de trabalhadores nas ruas, como estamos presenciando atualmente mesmo na Europa, com a Espanha e com a Grécia, à França, Portugal, Itália (já tão destruído pelos atuais terremotos), à Irlanda; e o Brasil, que começa a se preocupar pois a “marolinha” do mercado imobiliário de Lula, começa a se agitar e Dilma demonstra preocupação4.

O século XXI está caminhando para problemas cada vez mais insanáveis pelo atual modo de produção (desemprego em massa,  crises ambientais, etc), por isso, para a sua crítica e superação, Marx volta a “assombrar” o mundo capitalista.

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¹: Conferir Crítica do Programa de Gotha (1975). Há links na internet que o disponibilizam, como: www.dominiopublico.org.br.
²: C. f. Sergio Lessa," Trabalho e proletariado no capitalismo contemporâneo" e "Para além de Marx?".
³: Dos geniais, conferir um dos maiores pensadores da atualidade, Istvan Mézsáros (Para Alem do Capital e O Poder da Ideologia).
4: Publicado em “O Globo”, matéria sobre a visita a “negócios” da presidenta brasileira à Espanha, onde tratou com o Rei espanhol,  a questão dos países emergentes que “não podem salvar a economia mundiais" sozinhos", ou seja, diante da crise mundial.