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sábado, 21 de julho de 2012

Tendências Pequeno-burguesas e idealistas.


Crítica aos indecisos
         O que é essa falsa revolução que se desenvolve a cada nova acepção do termo revolução? Parece-me que o grau do termo revolução cada vez mais se aproxima de domesticação. Nesse contexto “revolucionário” articulam-se às classes sociais que tendem para a “essência burguesa”¹.
1.   Essência Burguesa e as Classes sociais.
      Não se deve negar a importância histórica durante a transição do feudalismo para o capitalismo, da filosofia clássica da época em relação à ruptura ideológica com o passado pós-escravista.²Todavia, não é por isso que ainda hoje temos que pressupor uma existência “conservadora” de tais ideais. Pelo contrário, fazê-lo seria o absurdo do retrocesso histórico e ainda mais, idealista, tal quais tais filosofias e formas de organização socioeconômica. No que toca a questão idealista, refiro-me às concepções liberais, a filosofia da “formalidade” em detrimento do real; refiro-me também a “sociedade cientificista”, positivista, “instrumentalista”, etc.  etc.; posto que ontologicamente, distancia-se do “objeto” em prol do próprio sujeito cognoscente como se houvesse identidade entre ambos ou mesmo que o método gnosiológico em si construísse  o objeto. Todavia, não é isto que nos interessa no momento, mas sim os “indecisos” que, limitados como são, criticam a “alienação” dos “grandes capitalistas” em prol de um mundo “capitalmente” mais humano.³
A tendência tem sido sempre a mesma e esta é uma “ironia” histórica. Desta “ironia” temos uma “essência” de mundo em que “supera-se” as concepções “ontológicas”, “ideológicas” e se firma o “real” e não-utópico como se realmente tivesse-se chegado a um patamar de conhecimento e “evolução” em que “superou-se a luta de classes”. Dessa forma, a crítica é aos “excessos” dos “grandes capitalistas” e a moda é atacar a corrupção política, a “alienação capitalista”, etc., esquecendo-se a “essência” do problema.
2.   A incontrolabilidade ontológica do capital4.
     Basicamente, do ponto de vista econômico, se analisarmos a forma de produção de capital, desmascarar-se-á o que se supõe “racional” ou “sustentável” no tocante a humanidade. Já exploramos estas questões neste blog5 por isso, basicamente precisa-se entender somente o seguinte:
(a)o capital industrial é a forma de desenvolvimento posterior à manufatura em que a sociedade alcançou de tal maneira o desenvolvimento das forças produtivas que foi possível superar a carência de produção. Ou seja, já se produz o suficiente e ainda mais para eliminar a miséria do mundo. No entanto, a produção/reprodução de capital não é o mesmo que produção/reprodução humana. Neste contexto, o capital industrial é a base da produção social que pela exploração do trabalho excedente produz os meios de produção e de subsistências necessários a vida humana, mas que assumem a forma de capital para a expansão de riqueza privada.
b) Do capital industrial funda-se a circulação de mercadorias. Desta, surge o capital comercial (grosso modo) que permite a realização da circulação de mercadorias, articulando-se o mercado pelas “leis da oferta e procura”. É bom frisar que nesta esfera, já não se tem a produção “proletariada”, mas apenas a “valorização” do capital, pois a produção proletariada é a que “converte a natureza nos meios de produção e de subsistência”. Dessa forma, como chega ao comércio à mais-valia já produzida pelo proletariado, o que ocorre é que um capital já existente, em valor x, pode tornar-se, pela venda final –  x + x%.  Não se produz outra mercadoria, apenas acresce-se quantitativamente um valor maior que o inicial, permitindo o lucro. Nesta esfera de circulação já não temos mais o proletariado6.
c) Mas é da produção industrial e da circulação de mercadorias que podemos entender as contradições “básicas” da produção capitalista (sem nos ater a essência da produção e da “lei geral da acumulação capitalista”). Uma fábrica produz as mercadorias que inundarão o mercado e concorrerão contra outras fábricas; o próprio mercado em si, literalmente, ainda não “realizou” o consumo final da produção, pois é o consumidor de fato que realiza tal ação (“consumo produtivo”).  Daí já decorre que a produção fabril continua a produção sempre acelerada e o comercio a venda, até que o mercado esteja “saturado”. Resumidamente daí decorre as crises de “superprodução”. No entanto, também a concorrência dos “grandes capitalistas” é que é contraditória em si, pois, dado ao nível de produção atual, somente as grandes corporações ou monopólios é que podem “sobreviver” neste meio. Sobreviver neste sentido, não deve ser visto com superficialidade, afinal, o que acontece com os trabalhadores de determinada empresa que fale? Rua, pobreza, desemprego, criminalidade, violência – todo um processo de desencadeamento que resulta na miséria da própria classe trabalhadora em geral. Daqui já se pode notar a discrepância no que toca a produção humana e a produção de capital. Mas, não é tudo.
d) no âmbito interno, isto é, no amago da própria produção industrial, o trabalho é regulado pelo tempo para a maior realização da mais-valia, isto é, da extração do trabalho excedente do trabalhador – o trabalho não pago. Assim, quanto mais o tempo de trabalho necessário se reduz, mais aumenta o tempo de trabalho excedente para a empresa. Por exemplo, em x horas y por dia de trabalho o trabalhador produz para o capitalista o necessário ao seu “custo” – pagamento do salário – mas ele, o trabalhador, tem de produzir além do tempo pelo qual é pago (grosso modo), se um tênis de uma grande marca produzido numa fábrica é igual ao salário do operário, devemos perguntar quantos tênis são produzidos por mês – depois  dias, horas, minutos – pelo trabalhador que recebe este salário, ver-se-á que com a atual produção, este trabalhador deve produzir, por exemplo, 10 sapatos por hora e, se 1 único sapato paga seu salário, 9 saem de graça para quem o emprega. Mas não termina aí, como dissemos, ele produz 10 por hora, assim, a partir da segunda hora, temos 19 sapatos de graça e daí em diante, mais 10 por hora, totalizando 79 sapatos por dia de trabalho; agora se multiplique tal valor por mês de trabalho! Os números são absurdos num exemplo que não se aproxima nem de perto da produção de fato. Desta perspectiva podemos perceber que a produção de mais valia não é produção humana, posto que, se pensássemos da seguinte maneira: “se o trabalhador produz estes 79 sapatos por dia e um paga seu salário, então por que não se contrata 78 funcionários a mais, para assim acabarmos com o desemprego?” veríamos que não se trata de uma produção/reprodução humana, mas produção de mais-valia que permite a reprodução de capital. 7
         Portanto, não se trata de viabilidade ou não do capitalismo, mas sim de que este sistema em si, não objetiva o atendimento das necessidades humanos, do desenvolvimento humano, mas a produção de lucro; a produção para fins de enriquecimento privado pela alienação do produtor, do trabalhador.

3.   Os “indecisos”.
É possível então, vislumbrar o porquê de que, a critica aos “grandes monopólios” e à “corrupção” não são nada mais que formas  idealistas e ilusórias, ou simplesmente ignorantes de se pensar em uma sociedade plenamente humana e não coisificada.
         Vejo atualmente críticos políticos do capitalismo, a “favor dos trabalhadores” e de uma “sociedade mais justa” que cinicamente ou ignorantemente vão longe da causa do problema. Basta analisar as plataformas dos partidos políticos para se observar que nada fazem para superar esta forma historicamente temporal de organização “sócio metabólicas”. Mas de política já bem sabemos que nada tem a trazer os atuais políticos que meras mediocridades.
         O problema está na ideologia dos pseudo-críticos não políticos de hoje, está neles e além deles: todos aqueles que creem numa formação social mais igualitária que não propõem a superação do capital.
         Em entrevistas recentes, atores criticam o capitalismo e ganham aplausos por isso. Mas, não observam os espectadores que a tendência destes é nada mais nada menos que a referida posição idealista e de cunho pequeno-burguês.
         A pequena-burguesia é o estado socioeconômico que tantos almejam – tornarem-se “financeiramente estáveis e terem seus próprios negócios”. Daí surge os inúmeros desdobramentos de “empreendedores”, dos “pequeno-empresários”, seja de firmas de publicidade, marketing, ensino, artes cênicas, etc. etc. Nada têm de realistas do ponto de vista socioeconômico. Buscam seu nicho e criticam os “grandes empresários”, a “especulação financeira” e nada fazem para articular uma organização social consciente para a emancipação da própria humanidade diante da alienação – da reificação pelo capital.
4.   Os intercâmbios sócio materiais.
Entendemos os intercâmbios sócio materiais como a produção e reprodução dos meios de produção e de subsistência e a relação de troca de valores e bens realizados pelos indivíduos sociais. Ou seja, a produção social realizada pelo trabalho fundante da sociedade, que converte a natureza nos meios de produção e de subsistência permite um intercambio entre os homens que, em grais primitivos, não possibilitaram um desenvolvimento histórico das forças produtivas de determinada maneira em que atividades não diretamente relacionadas ao intercambio com a natureza fosse relacionadas à sobrevivência humana. Por exemplo: somente hoje é que determinados serviços podem servir para sustentar um indivíduo da sociedade sem que este execute a transformação da natureza em seus próprios meios de produção e de subsistência. Ou seja, um cantor, ator, um publicitário, um fiscal, inspetor, professor, atleta, acadêmicos em geral, etc. etc., não precisam realizar o trabalho diretamente relacionada com a produção social, mas podem realizar serviços em que pela sua realização podem tirar da circulação determinada quantidade de valor-dinheiro que lhe possibilite a aquisição dos meios de subsistência de que precisa, ou de produção pela compra (ou seja, realiza uma atividade, adquire dinheiro-valor-de-troca e troca seu “bom dinheiro” pelos “bens” que precisa para satisfazer suas necessidades, sejam físicas ou intelectuais). Este é o problema dos pequeno-burgueses e dos críticos dos “grandes-capitalistas”, não entendem que é da exploração que os grandes capitalistas realizam dos trabalhadores, que permite com que suas próprias “atividades remuneradas” ou “empreendimentos” se realizem, pois sem esta exploração não poderiam “desenvolver sua cultura, entretenimento, lazer e conforte em geral” e suas próprias críticas até, pois precisariam de fato, entrar na produção real, fundante da sociedade – o trabalho em que seu executor se apropria da natureza para dela extrair o que precisa para sua própria sobrevivência.
5. É dessa forma que chegamos ao final de nossa crítica, refletindo sobre a “essência burguesa” em cada pretenso “crítico” do capitalismo que não consegue ir além da própria concepção de mundo burguesa. Para bem ou para mal, as coisas não continuarão perpetuamente do jeito que estão...


1: Por essência, entendemos o básico da construção do ser social em determinado  momento histórico e pelos decorrentes complexos sociais que se fundam a cada um destes momentos. Por isso, não se confunda esta concepção como uma essência “imanente ao homem”.

2: Sem nos atentar somente a Roma, mas a toda a “Idade das Trevas” europeia e aos modos de produção feudal e asiático.

3: É interessante notar que, como distanciamento das “utopias” socialistas clássicas, nossos “realistas” contemporâneos “pós-ideológicos” já foram politica e filosoficamente desarmados desde 1848-51. Basta uma leitura de O 18 de Brumário de Luiz Bonaparte para entender a análise realizado por Marx sobre a “Montanha” e os “social-democratas”, a “pequena-burguesia”, os “republicamos” etc. Ver-se-á na leitura desta obra, como se desmascarou as tendências “revolucionárias” dos partidos “pós-monarquia”.

4: CF. Mészáros Para Além do Capital e Paniago em A incontrolabilidade ontológica do capital.

5: Ver links do blog sobre o assunto “crise de abundância e superprodução”, “classe proletariada e de transição”, “João o pé de feijão e o dinheiro”.

6: Fazer esta distinção não é mera formalidade, é ressaltar que sendo o proletariado, a classe que “produz os meios de produção e de subsistência sociais”; que primeiro produzem a mais-valia; que pelo trabalho produzem a “subsistência” social, são eles a classe revolucionária; e não uma pretensa organização do “partido dos trabalhadores”, da “classe trabalhadora em geral”.

7: Ver neste blog, “Redução da jornada de trabalho pela metade.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Crítica ao Progrma "Juventude Marxista e sua aliança com o PT"


A decadência marxista,

a seguir, demonstrarei meu profundo pesar em relação ao que aqui repudiu.

"O papel da Juventude Marxista na eleições de 2012"

Com certeza deveria ser não votar, diga-se de passagem.

"A Juventude Marxista busca organizar a mais ampla frente única em torno das necessidades dos jovens, e, a partir delas, movimentar lutas durante o processo eleitoral, cobrando que os anseios se tornem realidade."

Somentes durante as eleições?

"As eleições nos propicia apresentar uma plataforma de exigências aos candidatos a prefeito do PT"

Então a articulação é petista, um partido político que, nunca se aproximou do teor revolucionário, seu passado histórico, ideologicamente (se baseiam na história da esquerda mundial trabalhista, operária), são o legado de movimentos socialistas revolucionários, como diria nosso ilutstrímissimo J. Chasin,(no entanto) a esquerda brasileira se articula dentro do "extremo" da direita burguesa, não além da burguesia (portanto, além do capital - para além da alienação do produtor, o trabalhador).

Lula distribui o "Fome Zero", não luta contra a dominação burguesa, contra a emancipação do trabalho.Parece-me que não se entende aqui o que é emancipação do trabalho, o que é de fato revolução prática, proletária; pra variar, como diria o prf Sérgio Lessa, "dilui-se o conceito de proletariado dentro de uma massa", assim velando sua "excelência revolucionária". Onde está a consciência de classe!

"O Passe-Livre Estudantil é com certeza uma das reivindicações que deve ser posta na ordem do dia."

Diante das necessidades históricas, péde-se ao capital que lhe dê "pelo menos" passo-livre, enquanto aos trabalhadores? Entenda quem puder.

Nosso "escrito" ainda diz "Explicaremos que essa reivindicação busca garantir o acesso à educação, e também à cultura e ao lazer"

Não precisa, diante deste absurdo. Marx afirma em "Crítica do Programa de Gotha" que, "A medida que o trabalho se desenvolve na sociedade,... desenvolvem-se probreza e desamparo no trabalhador; riqueza e cultura no não-trabalhador".

"Não é justo os jovens terem que pagar para ir à escola quando a educação deve ser uma tarefa do Estado e o governo deveria garantir esse direito."

-Estado? Estado? Com certeza não se compreende aqui o que é o "socialismo marxista". A teoria socialista marxista se embasa na superação do Estado, pois, o Estado, diferente do que concebeu Hegel, não é o auge da "sociedade civil", mas da alienação das individualidades e somente com a superação do estado é que podem as individualidades de fato, experenciarem todas as suas potencialidades - a liberdade!

Os absurdos são tantos, que não se pode extrair nada que tenha proveito.

Eis o que fazem de Marx
"