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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Conflito de Classes/Raças (Um) - MARIKANA


Nos últimos dias assistimos mais uma barbárie promovida pela “expansão de capital”. Desta vez, de forma “nua e crua” o proletariado foi fuzilado de ante das câmeras de tv (com transmissão em tempo real internacionalmente), pelas forças “de segurança” do “Estado Nacional Africano”.
            O proletariado havia uma semana que estava de greve; como toda greve, reivindicavam melhores condições de trabalho diante de seus patrões – a empresa britânica Lonmin. Entretanto, o conflito de classes terminou em prejuízo para o proletariado, mais de trinta morreram fuzilados pelas forças do Estado em defesa da Leonmin.
            Um problema a ser salientado é que há dez dias do massacre, pelo menos dez já haviam morrido. Segundo noticiários internacionais, trata-se de conflitos entre os sindicatos por “territórios”. O que é uma grava situação, posto que, desviando-se do inimigo verdadeiro, o capital (personificado pela Lonmin) os “representantes” dos proletários – os sindicatos – não possuem um direcionamento autônomo, próprio e enfrentam-se ao invés de mirarem suas armas para os patrões. O resultado da falta de “consciência de classe”, é que o proletariado fica a mercê dos ditames do capital e desta situação, nada será alcançado.
            No entanto, não podemos ignorar que o confronto perpetrado pelo Estado Africano, agora joga trabalhadores contra um inimigo em comum (não que o fosse entre si), mas que, diante das circunstâncias citadas acima, pelo menos o verdadeiro inimigo mostrou sua cara – o capital e o Estado mediador dos conflitos de classe, base de sustentação do capital.
            Outro ponto a ser ressaltado por hora, é a questão de raça... Muito se discute sobre a “teoria materialista dialética da história” ser “insuficiente” para explicar as desigualdades que não sejam puramente “econômicas”. Entretanto, se atentarmos para a conceituação adequada da questão de ‘luta de classes’, e do conceito (forma, conceito “semântico”, “gnosiológico”) e dar-lhes a “concretude”, a objetividade real, prática, poderemos perceber que a classe social (sem uma definição “delimitada”) é, genericamente, um todo heterogêneo composto de: raças, gêneros e etnias diferentes e que, fazem parte de uma estrutura social articulada a partir de bases produtivas/distributivas oriundas de duas formas de intercâmbios sociais historicamente mutáveis – o orgânico/inorgânico com a natureza e entre si. Como se trata de um processo histórico, este desenvolvimento de “intercâmbios” teve (a grosso modo) uma “proeminência” de povos sobre outros e, dessa forma, ideologias de grupos diferentes suplantavam (ou tentavam) as de outros povos dominados.
            No caso dado, temos um legado histórico “visível” (recente), de domínio britânico (europeus brancos) sobre os povos africanos (negros). Como bem sabemos, o domínio dos brancos no continente foi um processo decorrente de interesses econômicos derivados das determinações expansionistas do modo de produção de capital, de forma intensificada nos séculos XVIII e XIX.
            Agora, após o apartheid, quase uma geração depois de seu fim, (e dessa forma, da suposta “superação dos conflitos e desigualdades de raça” ) os brancos capitalistas, donos de monopólios transnacionais, veladamente até onde podem, mantem uma opressão que, mesmo que “etnicamente”(desigualdade de raças) superada, nada traz para o povo africano a não ser a exploração. Dessa forma, podemos observar que neste “evento histórico” que corrobora a teoria da “Luta de classes” (marxiana), temos em uma classe social (proletariado), a representação/predominância de uma raça – os negros; no outro extremo, como tratamos, outra – os burgueses brancos. Portanto, é possível entender que neste conflito de classes, claramente (neste época histórica), temos uma relação de proeminência de um determinado povo (como falamos acima) sobre o outro em que, as bases fundantes dos intercâmbios sociais (orgânicos/inorgânicos/social) atualmente dados, corroboram o que afirmamos sobre as opressões de classe e que, nestas classes, teremos representações de grupos sociais, (os negros neste caso). O que nos permite pressupor que – caso o proletariado africano (aqui o povo de MARIKANA, da África do Sul) – vencesse os conflitos atuais, com orientações de base socialistas – os negros então, superariam a “desigualdade social” que insistem em reivindicar com ações “formais/legais”, como “direito de voto”, de “ir e vir”, de “igualdade”, de “fraternidade” e “liberdade”, etc; ou seja, questões formais que, dentro de uma sociedade que não superam as bases de reprodução de capital, nunca (Nunca) superarão tais desigualdades, posto que, não se superaria os “antagonismos” de classe. Todavia, como se insiste em negar a “superação da epistemologia materialista da história” e, portanto, “da luta de classes”, então, me pergunto – “como se superarão as desigualdades de raça (para não falarmos em classes sociais)?” 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Estado mediador dos conflitos de classes

"Pinheirenses (classe dominada) contra o Estado"
No início do ano, o governo de SP "reintegrou" a área de "Pinheirinhos" à uma empresa falida - ou seja, a um grupo ou um proprietário que, inversamente a qualquer aproximação de uma "igualdade social" ou "reforma agrária", permitiu com que um capitalista empresarial restituí-se à seu montante de capital (riqueza social alienada) o "direito a propriedade" de "sua" terra.

Na ação, houve enfrentamento entre os policiais (braço forte do Estado) contra a "sociedade civil", isto é, diferente da "igualdade de direitos" "máxima" do Estado como "mediador" do individual ao social, ou seja, como "personificação" do indivíduo no todo (hegeliano); houve a repressão contra a população para que o direito a propriedade fosse mantido (não o da massa de "proletários sem direitos", isto é, de trabalhadores, desempregados que compartilham da mesma situação do operariado industrial do século XIX in Paris por exemplo).


Alguns meses se passaram, e o povo de Pinheiros foi esquecido das "mídias" da "opinião pública". E o caso, que escondia uma intencionalidade ideologicamente concreta, personificada pelo particularismo político-legal, foi velado.



Estado contra a classe pauperizada.
É interessante atentar para outro fato, na cidade do Recife, outro caso desses ocorreu, a reintegração foi realizado num bairro de classe alta, Boa Viagem, e, conforme foi noticiado à época, o povo não recebeu nem limiar notificando a desapropriação. Foram expulsos pela Polícia Militar do Estado de Pernambuco, a mando do Governo do Estado de Pernambuco - representado pelo supostamente "Socialista"(PSB) Eduardo Campos e o prefeito João da Costa(PT).  Neste caso, no entanto, não era uma propriedade "privada", era um viaduto, que tal qual uma "Cracolândia", 'enfeiava a paisagem turística do local.

O que isso tem a ver com as novidades no caso da "Cracolândia"?

"Cracolandios, (classe dominada) contra o Estado"

O recente caso sobre a "punição/orientação" para a ação Policial com os "viciados" esconde a velha situação a que o Brasil, como um Estado Nacional Capitalista "tardio", compartilha com todos os outros países também capitalistas (a pauperização do proletariado) o aumento de desempregados (exército de reserva) e consequentemente, a exposição da classe trabalhadora em geral à criminalidade, a "situação de risco" e no Brasil, ainda tem a questão de classe/raça, onde, na classe trabalhadora, a maioria dos despossuídos, os que vivem em situação mais miserável (mais pauperizada), é a raça descendente de escravos, que tem como legado, as ruas e a vida "marginal", já que até a década de 60 por exemplo, as funções mais mal pagas no Brasil dos "migrantes ruais"(NOVAES, FERNANDO A, 1998) (ajudante de pedreiro, segurança, biscateiros em geral - todos sem carteira assinada), eram compartilhadas pela população pobre em geral (o que inclui a grande maioria negra). 

Assim, a "classe/raça pauperizada" jogada a sarjeta, como uma massa de "proletariados sem direitos"(MARX,1891) (como no século XIX, em relação ao operariado parisiense, inglês), são excluídas pelo Estado Nacional Brasileiro e ficam expostas aos "riscos" que resultam (violência, drogas,) da exploração do capital. 

Dessa forma, todos os casos aqui citados, demonstram uma coisa em comum, as pessoas "desapropriadas/expulsas/violentadas/marginalizadas" fazem parte da classe trabalhadora em geral; são os herdeiros do proletariado sem direitos de outrora; são descendentes das cenzalas e da classe camponesa cada vez mais despossuída (vide MST). A esta população, o que resta, é violência do Estado como mediador dos interesses da classe predominante - a burguesia, os grandes latifundiários, os pequeno-burgueses; os militares, forças armadas em geral, os políticos. 

Devido a tentativa de "apaziguar" a "ética moralista", os "deireitos humanos-liberais", agora, o governo noticia ação civil contra o Estado de São Paulo, numa tentativa ideológica (ideologia numa perspectiva de consciência social prática de determinado grupo social e não necessariamente como uma "falsa-consciência")(Mézsáros, 2004) de apaziguar os escândalos promovidos pelas atuais ações e assassinatos promovidos pela polícia militar do Estado de São Paulo.

Não há alternativa para a atual situação que não uma ofensiva socialista rearticulada, além do capital. Só quando a sociedade organizar-se para-o-trabalho e não para-o-capital, estando assim emancipado da alienação o trabalho, que poder-se-á vislumbrar uma sociedade igualitária onde se destituiriam as classes sociais. Sem ser dessa forma, o Estado, hora "aperta/reprime", ora "poe panos quentes", mas nunca promoverá mudanças estruturais para-o-trabalhador.

Cracolândia, Pinheirinhos, "sem-teto", todos compartilham da mesmo sofrimento de classe e a violência  é sua companheira.